terça-feira, 22 de abril de 2014

SÓ SEI Q NADA SEI

Olá, galera. Tudo joia?
Estive pensando sobre o que publicar por aqui, diante de tantas noticias ruins que vem tomando conta de nossos dias. Já comentei tanto sobre elas que sei lá, irei me repetir; e outra, algumas causam tanto nojo que se eu vier falar delas, não vou falar nada de amável, pelo contrário, vou acabar sendo grosseira.
Então, achei um texto no site da rede saci que nos mostra que, mesmo quando achamos saber tudo sobre um assunto, já que estamos vivenciando o mesmo, na verdade, cada um é diferente, e acaba passando por ele de maneira diferente. O nome do texto é "SÓ SEI QUE NADA SEI", e fala sobre como ela via antes a vida de cadeirante, já que é uma desde os 6 anos e de como percebeu que sua verdade não é uma verdade absoluta.

Marcela Cálamo


Até pouquíssimo tempo, eu achava que entendia muito sobre pessoas com deficiência, especialmente cadeirantes. Cheguei a quase discutir com um amigo por ele ter uma visão diferente da minha. Ele, sem deficiência, acredita que “experimentar” situações que pessoas com deficiência vivem, ajuda na conscientização das dificuldades que os que têm deficiência passam. Nosso embate foi porque insisti em dizer que esse tipo de coisa não causa efeito algum.

Mas, de uns meses pra cá, ando pensando sobre o que eu realmente sei e o quanto sei. Como eu poderia ter certeza da reação de outras pessoas após uma experiência diferente? Concluí que eu, de fato, nesse caso, não tenho ideia do que uma pessoa sem deficiência poderia tirar de aprendizado após tais simulações. Pode ser que alguns se comovam, reforçando a imagem do “deficiente coitadinho”. Talvez alguns saiam achando que quem tem deficiência é herói!

Pode haver aqueles que se identifiquem com a luta por acessibilidade e se engaje nela ou apenas leve o assunto adiante. E pode haver também aqueles a quem não faça diferença alguma.

Tudo bem, não daria pra saber como o “lado de lá” reagiria diante de uma dificuldade “nossa”, mas de cadeirantes eu sabia, afinal, estamos no mesmo barco.

Foi então que soube que meu amigo Renato, cadeirante como eu, teve trombose e ficou um mês deitado. Imaginei como Renato ficou, não podendo sair da cama por um mês e, imediatamente, pensei em como seria isso pra mim que cuido de dois filhos, casa, marido, alunos. Aí, me dei conta de que, apesar de ambos sermos cadeirantes, nossas vidas são completamente diferentes e os acontecimentos, sejam quais forem, têm impactos diferentes nelas.

Entendi o porquê de me sentir meio peixe fora d’água quando falam de cadeirantes como uma coisa só, um grupo homogêneo. Minha vida, minhas experiências são únicas e ninguém além de mim, seja cadeirante ou não, entende minhas lutas e dificuldades diárias. Também eu, não posso saber como é a vida de outras pessoas com deficiência. Nossas deficiências nos identificam e unem, enquanto grupo que luta por direitos, que discute problemas gerais e busca soluções aos mesmos, mas nos diferencia por termos vivências diferentes, especificidades diferentes, por sermos únicos, mesmo quando a deficiência parece ser igual.

Para completar, após ouvir a Anahí e outras pessoas falando sobre gênero e deficiência, numa mesa de discussão, vi que há um mundo imenso de questões sobre as quais nunca pensei, por não fazerem parte de minha vivência e que a luta vai muito além da acessibilidade e inclusão.

E eu que achava que sabia muito, fiquei pequenina diante desse mundo desconhecido e hoje só sei que nada sei.

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